Havemos de ser pessoas sem sal...
Vivemos em tempos de agudas incertezas a respeito daquilo que podemos falar. Em verdade, devemos assumir sérias cautelas neste sentido. Pode parecer hiperbólico, mas o terreno é traiçoeiro, e convém nele pisar com delicadeza. As leis vêm mudando num ritmo frenético e com isso evapora-se a segurança jurídica. Chega a ser surreal, hoje, cobrar do cidadão o estrito respeito ao artigo 3º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, de acordo com o qual " Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece ." Ora, nem o operador do Direito detém mais o domínio do conhecimento das leis desse país. Em nosso contexto jurídico-político, as leis armam ciladas e formam objetos de delação para satisfazer desejos de vingança, especialmente as leis penais e, mais especificamente, no declarado afã de proteger as «minorias vulneráveis». Ser preso por crime de opinião tornou-se de menos rigor que matar alguém, sobretudo quando é atingida a ...