Desfrute do silêncio
Palavras
têm poder: fundamentam idéias, gestam civilizações e, por conseqüência,
orientam o próprio poder bélico. Portanto,
o poder bélico não emana diretamente da força, mas indiretamente da palavra,
que geralmente se condensa em livros. A
força e a tecnologia aplicável são acessórias à palavra, assim como os membros
do corpo nada fazem sem as instruções da cabeça.
No cenário contemporâneo, identifica-se o uso do discurso para a implementação da chamada discriminação reversa por parte de minorias hegemônicas. O masculino tornou-se tóxico e, ouso dizer, o “novo negro”. O ser humano é o único dos seres a formular preconceitos, ódios e idéias, que não são maus em si mesmos, a depender da orientação dada pela mente operante. Porém, o pecado do favoritismo dado às chamadas «minorias» por essa elite, torna-as intangíveis em seu discurso. Suas justificativas são sempre usuais e imperioso é o duplo-padrão em poder-se dizer o que quer sem ouvir o que não se quer.
Esse contexto gera um ambiente de auto-censura. Questionar o status quo muitas vezes expõe o indivíduo a sanções jurídicas ou à marginalização social. Quando menos, somos marginalizados, dando ensejo às mais invisíveis e sutis retaliações e sabotagens pela persecução do pedregoso caminho do Bem e da Verdade. Determinados temas, quando trazidos ao debate público, geram forte resistência por contrariarem o consenso estabelecido. As elites hegemônicas e sua imprensa engajada freqüentemente orquestram reações em grande escala para conter esses questionamentos, temendo os efeitos desestabilizadores da exposição dos fatos. Esse processo isola o indivíduo dotado de senso crítico, destacando-o de uma opinião pública moldada de forma superficial.
O Brasil converteu-se em um cenário de paranóia difusa, no qual o medo de se expressar tornou-se a regra. Pressionada pela influência esmagadora de grupos minoritários sobre a esfera pública, a maioria da sociedade adotou uma postura de estrita cautela em relação ao que diz ou escreve. Tal percepção de cerceamento é ratificada por dados empíricos. Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, 61% dos brasileiros consideram que podem ser punidos por falar ou escrever o que pensam:
“A parcela que considera poder se
expressar sem represálias representa 32,4% e 6,6% não souberam responder ou não
opinaram sobre a questão.
(...)
Quando o recorte é a faixa etária, a que sente o direito de exercer a liberdade de expressão mais ameaçado é a de 35 a 44 anos: 65,1%”. [N.A.: É nítido o choque de gerações: os segmentos mais jovens mostram-se mais suscetíveis à narrativa dominante, fruto de um trabalho persistente de moldagem de opinião realizado pela grande mídia.]
“Entre as religiões, os evangélicos são os que têm a maior percepção de que se expressar livremente pode levar a punição: 64,5%. Os católicos são um pouco menos preocupados com a questão: 61%. Mesmo para quem tem outra religião ou não possui nenhuma, o índice supera a metade, chegando a 54,8%.
Na Região Sudeste, o entendimento de que pode ser punido por expressar o que pensa alcança 65,2% da população. Esta é a região do país onde este receio é mais prevalente. Em seguida aparecem as regiões Sul (62,6%), Norte e Centro-Oeste (59,4%) e Nordeste (54,8%).”[1] [N.A.: Nível de renda e QI regional influenciam nas potencialidades do discurso adotado]
O Leviatã invoca para si o monopólio do discurso e classifica sumariamente discursos divergentes sob rótulos como fake news ou discurso de ódio, delegando o controle informativo a suspeitos checadores de fatos, estreitando as margens de manifestação do cidadão.
Esse incentivo institucional ao denuncismo refletiu-se num aumento de 130% nas denúncias de racismo e injúria racial entre 2023 e 2025.
Uma análise detida do fenômeno deverá necessariamente passar pela combinação entre a hipersensibilidade das denominadas «minorias vulneráveis», que reagem com histeria diante de qualquer melindre, e a ampliação do alcance territorial e geográfico da linguagem, potencializado pelas redes sociais, o que acaba por impulsionar e cultivar uma constante inclinação à judicialização dos conflitos interpessoais.
Na esfera estatal, o Ministério Público ou a Defensoria Pública assumirão a condução de ações coletivas — iniciativas que habitualmente convertem-se em dividendos e capital político para seus próprios membros —, alimentando uma “indústria do sofrimento” e encontrando acolhida, na maior parte das ocasiões, em um Poder Judiciário obsequioso, pedagogo e até proativo.

Comentários
Postar um comentário