Desfrute do silêncio
Palavras têm poder. Palavras deram forma a livros, estes gestaram
sociedades, e estas deram forma à indústria bélica. Portanto, o poder bélico não emana
diretamente da força, mas indiretamente da
palavra, que geralmente se condensa em livros.
A força e a tecnologia aplicável
são acessórias à palavra, assim como
os membros do corpo nada fazem sem as instruções da cabeça.
Uma fórmula muito comum que se tornou usual aos interesses da elite hegemônica é praticar a «discriminação reversa» pelo mau uso da palavra. Pelo menos dos anos 60 para cá, o masculino se tornou tóxico e, ousamos dizer, tornou-se o “novo negro”. O ser humano é o único dos seres a formular preconceitos, ódio e idéias, que não são maus em si mesmos, a depender da orientação dada pela mente operante. Porém, o pecado do favoritismo dado às chamadas «minorias» por essa elite, torna-as intangíveis em seu discurso. Suas justificativas são sempre usuais e imperioso é o duplo-padrão em poder-se dizer o que quer sem ouvir o que não se quer.
Em razão destas premissas, devemos desfrutar de um forçoso silêncio, pois o poder da palavra nos impõe uma mordaça, sobretudo quando há incomensurável ressonância. A palavra que desafia o status quo nos converte em delinqüente, sujeito a penas duras e imprescritíveis. Quando menos somos marginalizados, dando ensejo às mais invisíveis e sutis retaliações e sabotagens ao nos orientarmos pelo caminho do Bem e da Verdade. Certos temas são incômodos ou politicamente incorretos quando colocados em pauta. As elites logo berram e provocam uma comoção nacional mediante as amestradas mídias de massa, o que se deve ao fato de temerem o conhecimento da Verdade, dado o seu poder libertador (cf. Jo. 8:32), encapsulando no indivíduo uma incômoda saliência diante de uma massa rasa e superficial.
O Brasil, esse país do vale-tudo, se tornou um país paranóico, onde o medo do «poder da palavra» se tornou doentio, pois graças a uma minoria em particular, que vem se despindo do filtro solar, mas cujo poder persiste sendo esmagador, a maioria vai adotando cautelas em função do que fala. Ora, somos contados por pesquisa realizada pelo Instituto Paraná Pesquisas que “61% dos brasileiros consideram que podem ser punidos por falar ou escrever o que pensam”:
“A parcela que considera poder se expressar sem represálias representa 32,4% e 6,6% não souberam responder ou não opinaram sobre a questão.
(...)
Quando o recorte é a faixa etária, a que sente o direito de exercer a liberdade de expressão mais ameaçado é a de 35 a 44 anos: 65,1%”. [N.A.: Notável aqui é o conflito de gerações, visto que os mais novos vêm tendo sua mente lavada pelo trabalho de sapa das mídias de massa]
“Entre as religiões, os evangélicos são os que têm a maior percepção de que se expressar livremente pode levar a punição: 64,5%. Os católicos são um pouco menos preocupados com a questão: 61%. Mesmo para quem tem outra religião ou não possui nenhuma, o índice supera a metade, chegando a 54,8%.
Na Região Sudeste, o entendimento de que pode ser punido por expressar o que pensa alcança 65,2% da população. Esta é a região do país onde este receio é mais prevalente. Em seguida aparecem as regiões Sul (62,6%), Norte e Centro-Oeste (59,4%) e Nordeste (54,8%).”[1] [N.A.: Nível de renda e QI regional influenciam nas potencialidades do discurso adotado]
O Governante, invocando o monopólio do discurso, classifica sumariamente o que não lhe agrada como «fake news» ou «discurso de ódio», sujeito a checadores oficiais que na prática operam como fonte única e rigorosamente dogmática.
Enfim, aquilo que o governado pode falar vem se estreitando, sobretudo em tom de desabafo.
O Governante estimula o surto de «denuncismo», de maneira que de 2023 a 2025, denúncias de racismo de injúria racial subiram 130% no Brasil, o que não se explica só pela materialidade do discurso.
Ora, uma análise detida do fenômeno deverá necessariamente assumir uma conjunção de ao menos dois fatores:
· O massagear do ego das chamadas «minorias vulneráveis», que reagem com toda expansividade diante do melindre por qualquer palavra indelicada da mais banal;
· A expansão da esfera geográfica do discurso, potencializado pelas redes sociais, fomentando o ímpeto judicializante.
Em âmbito público, o Ministério Público ou a Defensoria Pública, orquestrarão ações coletivas, que geralmente contam pontos políticos aos seus integrantes, alimentando uma “indústria do sofrimento” e encontrando, na maioria das vezes, num Judiciário obsequioso, pedagogo e até proativo.
[1] Disponível em <https://www.metropoles.com/brasil/parana-pesquisas-61-acham-que-podem-ser-punidos-por-falar-e-escrever>
Acesso em 10/03/2026

Comentários
Postar um comentário