Obsessão criminológica

Estamos vivenciando uma era em que as franquias civis vêm sendo cada vez mais dinamitadas e o antropocentrismo jurídico traduzido pela pauta dos «direitos humanos» já cede lugar a uma agenda ambientalista e panteísta.  O ser humano não mais é protagonista.  Ele serviu como protagonista para deslocar a religião para o foro privado.

Agora, ele passa a ter uma cidadania móvel como nunca antes vista, vinculada ao processo de contínua digitalização.  Ele se torna uma espécie de «nômade digital» com um potencial de se tornar um pária se não se adequar aos mais minúsculos e intermináveis “Termos de Serviço” do Estado e dos conglomerados parceiros.

O homem passa a ser digitalizado, ainda que seja ele um sistema aberto, comportando toda sorte de inputs exógenos.  Mas como o homem perde sua primazia, passa a estar sujeito a intromissões cada vez mais gravosas e vultosas aos seus mais caros direitos de personalidade.  Como sobredito, ele é estatizado mediante uma vigilância implacável, ao mesmo tempo em que é privatizado com o seqüestro de seus dados sensíveis às grandes corporações parceiras desse modelo de «Estado-Policial-Seqüestrador».

Obviamente, todo esse processo deve pautar-se em justificativas éticas para que a mente dos cidadãos seja caprichosamente lavada, missão suja que se prestam os meios oficiais de propaganda.  Com efeito, as mídias de massa vendem os benefícios mais práticos de um modelo de Estado que na prática promove a ruptura de todos os laços de civilidade, ao mesmo tempo em que se encarrega de despejar gratuitamente nos cidadãos uma programação repleta de selvageria e imoralidades.  É a dinâmica de uma «seleção natural» onde os mais fortes mental e espiritualmente possam sobreviver a tal enxurrada, vendo sucumbir «mil ao teu lado, e dez mil à tua direita» (cf. Salmos 91:7).

A propaganda panteísta reside na lógica de proteger a terra das ameaças mais fúteis lançadas pelo homem, como é o caso dos gases eliminados pela pecuária.  A mulher, como figura da terra em seu papel de mãe, orbita o processo de digitalização nos centros urbanos, assim como foi a primeira a ser seduzida no relato do Gênesis.  Sua vulnerabilidade relativa é tornada absoluta, e sua máxima proteção passa a ser uma coordenada desse modelo de Estado, com câmeras onipresentes e, futuramente, oniscientes, destinadas a salvá-la dos fantasmas de agressores masculinos, mas também do medo e da desconfiança constantes.  Sem embargo, o temor dos crimes sexuais é a principal justificativa para a varredura das câmeras de vigilância nas cidades, sejam elas grandes ou não, de tal modo que a privacidade se torne uma mísera exceção e a desconfiança no seu semelhante seja a norma inspiradora das futuras leis do pânico.

O próximo passo é dotar o Estado de leis cada vez mais tenazes; mais férreas, sob o aplauso efusivo dos mesmos que, em sua miséria intelectual, não percebem que tais precedentes legais irão arruinar seu livre-arbítrio, sustentando futuras normas ainda mais cretinas, onde o que seja crime se torne a regra e não mais a exceção.

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